quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Dia um


Ontem, depois de eu e Jairo
passarmos horas
jogando ao ar livre, no centro
do Rio, paramos
no caminho para comermos algo.
Depois do sanduíche, do suco, mesmo sem fome, como que pra continuar com o
brinquedo das horas anteriores, escolhi como sobremesa um
pedaço de rocambole, displicente.
Enquanto separava
um pequeno pedaço
daquela fatia com o garfo , pra começar  a "degustação" e
ao mesmo tempo aumentar o prazer
da experiência (caso ele fosse realmente
bom), por
uma destas muitas
razões escondidas, lembrei da primeira
vez que minha mãe
fez rocambole lá um casa, na casa
onde nasci. Lembro
da claridade na cozinha, denunciando
a tarde. Lembro
da alegria de
ver algo novo sendo criado, da
mágica de ver
aquele bolo fino
sendo enrolado,
com cuidado
pra não quebrar,
depois de ter sido
lambrecado de
recheio  ­ qual era ?
lembro da conexão
com minha mãe,
como se fosse
co-criador,
nos meus olhos
de criança, daquela maravilha.
O rocambole nos
conectou e hoje me reconectou
com ela, mais uma
vez. Que bom
que existam rocamboles e mães.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sem título.


Sou gota que carrega chuva temporã e da estação. Miúda e chuvarada. Não me represo o peito. Por vezes, turvo o sinal. Outras, lavo o pó. Por aí e ali vou. Enamorado da terra, me lanço das alturas infinitas emanações do que chamam amor. 
22/6/13

Ritmo



No ritmo da terra, do vento, das águas. Somos um.
Na asa do besouro, seu zumbido, ploft de terra. Somos um.
No berro da cabra que morreu. Somos um.
No som de sua pele.
Vibrada, retesada.
Somos um.
No zás-trás da cidade. Somos um.
No zumbido da bala na favela. Somos um.
No canto.
No choro.
No riso.
Somos um.
Somos um quando somos muitos
Som os uns.
Som outros. Somuns. Soma.

sábado, 7 de maio de 2011

Depois de uma semana doída, cheia de desespero e desesperança, recebo a notícia que o STF, a instância jurídica máxima do país, decidiu pelo reconhecimento das uniões homoafetivas, igualando-as ao status de união estável pelos casais heterossexuais. Ao ler o jornal, os olhos se encheram de orgulho e lágrimas. Como se um sopro divino mandasse pra longe boa parte da nuvem preta que pairava sobre mim, e talvez, sobre o país. 

Alegria a todos os que amam, sejam lá quem forem, de que sexo forem, de que religião forem. 

Dormiremos e acordaremos mais abençoados por Deus.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Viva o Ovo!!

Amanhã é sexta-feira. Da Paixão. Assim mesmo, como a tradição fixou. “P” grande, maiúsculo, A única data cristã de fato.
Nesta hora, quem estiver lendo isto, se alguém lê isto, provavelmente me chamará de idiota, imbecil e quiçá, ateu. Ou então, só de alguém que não passou pela primeira comunhão. Ou nenhuma das três opções, já que os meus três seguidores provavelmente têm algo muito melhor para fazer.
Mas, ainda assim, embebido pela fé, do período, de que alguém leia isto, para estes três seguidores e para aqueles eventuais que chegaram até aqui, devo confessar que nunca fui bom com datas, aniversários e outras coisas relacionadas com números, e as datas religiosas não receberam de mim o privilégio de serem mais lembradas que as outras.
E o Natal? E a Páscoa? Dirão.
Bem, se estiverem lendo isto, e tiverem concordado comigo, logo ali em cima, na primeira linha do parágrafo anterior: A HORA DA REVANCHE! Sim, por que há alguém ainda que suponha que estas datas são religiosas?! Ou ainda, o que diabos tem um coelho com um ovo de chocolate?
Vamos aos fatos: o símbolo máximo da Páscoa (olha o pezão de novo aí)?  Ninguém duvida que é o ovo de chocolate, ou duvida? Nem falo do coelho, o Conan Sexual do mundo animal. O ovo de chocolate é o objeto, a imagem mais presente de toda a Páscoa. E imagem com muito açúcar! Imbatível! Imagem-comida desejada por adultos e crianças, de todas as classes, todas as cores e de vários sabores. Hum, deu até vontade de comer um...
Ah, tá. Primeira ou última Ceia... Provavelmente, toda aquela bagunça posterior foi porque alguém esqueceu de comprar o ovo do amigo oculto, e deu no que deu. Todos sabemos o fim da história. Deu até morte.
Bem, ainda temos o Natal. É..., bem. O Natal, segundo posso lembrar, foi quando Papai Noel (outro pezão. Tá ficando meio psicanalítico isto), saiu pra compra o Peru (...) da Ceia, encontrou com uns amigos num boteco da área, bebeu todas com a rapeize e com as renas, todo mundo ficou muito doido e ele saiu presenteando geral. Coisa de gente bêbada... Bem, na volta pra casa ele errou o caminho, e foi parar num buraco chamado Belem, que fazia um calor do c*ralho, encontrou uma gente na maior pindaíba, e acabou dando de presente o que tinha restado das suas compras e generosidade etílica: um saco de um quilo de arroz Ouro, um perfume vagabundo e o tempero do Peru, que àquela altura, já tinha sido comido de tira-gosto, há uns vinte botecos atrás. O resto da história vocês conhecem, florearam um pouco e o livro é best seller há séculos!
Logo, o que restou para os cristãos? A Paixão, é claro! Isso tudo porque até hoje nenhuma grande corporação ou marqueteiro político encontrou um produto que pudesse ser associado a este evento, diferentemente de outras histórias daquele best seller ali de cima. Vejamos apenas alguns destes exemplos:






















                                           












O maná caindo do céu.
                       


 Como pedem ver, a sanha da nossa sociedade tem pressa em vender seus produtos, principalmente se eles podem ser associados ao Big Boss, que ainda desfruta de incomparável credibilidade dentre nós, os habitantes desse quinhão.

Mas então, se há tanta criatividade em seus departamentos de marketing, como explicar terem esquecido a Sexta-Feira da Paixão? Vá lá, tem as peixarias, que são sabidos domínios do Império (Católico) Romano, mas que vêm perdendo popularidade para tantos outros impérios globalizantes alimentícios.
Eu cá, tenho uma vaga idéia que me surgiu enquanto consumia um Big Mac™ com Coke Zero™.
É que o símbolo desta data não encontra apoio em nada que nos esteja sendo empurrado hodiernamente, em nenhum produto, ou modelo, em nenhuma ideologia ou religião; este símbolo nos lança para o que vou chamar de transcendentalidade.
Um homem pobre, que aceitou sua morte porque acreditava que desta forma abriria a possibilidade de uma vida melhor para outras pessoas que nem conhecia e até mesmo para aquelas que o estavam matando. Sei não, talvez a indústria do cigarro pudesse usá-lo, mas até hoje, não tive conhecimento de tal merchandising.
E além disso, aceitou a dor, o sofrimento como parte integrante da vida cotidiana e comum, sem recorrer à novenas da prosperidade, da saúde, ao Prozac, aos cartões de crédito, ao crack, à Polishop e à qualquer “tech-trana” made in China, como iPads, iPods, Macs de comer, digitar, e congêneres.
Tudo bem, a maioria dessas coisas não havia lá, mas o fato básico, ao menos agora, na minha cabeça, é que o número de ovos de Páscoa produzidos neste mundo é diretamente proporcional ao vazio de solidariedade, de propósito de verdade em que estamos mergulhados e do qual fazemos parte. E isso já me dá uma certa azia prévia, na antecipação de todo o chocolate que vou comer no domingo.
Mas tudo bem, se tenho vários envelopinhos de Engov em casa.





domingo, 31 de outubro de 2010





"...eu plantei ofertas na casa de deus e vou colher e vou colher bençãos materiais na minha vida... e bençãos espirituais também..." Ah, tá. Ele lembrou do espiritual. Aí sim. 
Não, agora falando sério. O rebanho está cego e surdo, os lobos abrem a boca, e eles escutam balidos... Isso tudo é muito nojento, no sentido bíblico da coisa mesmo. Pelamordequalquercoisa!!